NÃO TEM EXPLICAÇÃO
Sob esse título, o Jornal da Tarde de 3 de abril de 2010 – caderno de esportes – noticia a rebelião dos principais jogadores do Santos F.C., que se recusaram a entrar na instituição de caridade "Lar Espírita Mensageiros da Luz", na quinta-feira.
Reproduzimos para melhor entendimento, parte da matéria, assinada pelo jornalista Sanches Filho:
"O que aconteceu na tarde de quinta-feira deixou L. Á. (presidente do clube), diretores, D. J. (técnico) e membros da comissão técnica em situação desconfortável. Os jogadores, à exceção de M. (foi embora mais cedo) e R. B., embarcaram no ônibus Baleia 77, em frente ao Hotel Recanto dos Alvinegros sabendo o que iriam fazer, mas se negaram a participar da entrega de 640 ovos de páscoa ao Lar Espírita Mensageiros da Luz. A entidade cuida de 34 pacientes, entre crianças, adolescentes e adultos, vítimas de paralisia cerebral. Chegando à instituição, os principais jogadores nem desembarcaram, onde permaneceram por duas horas. A informação foi que a decisão teria sido por motivos religiosos – a maioria é evangélico.
Diante da repercussão negativa do assunto, N. e P. H. G. foram ontem a um programa na TV Bandeirantes pedir desculpas. "Cheguei em casa, conversei com o meu pai e percebi como foi ruim a nossa postura. Jamais vou repetir algo assim, e por isso temos que pedir desculpas", disse N., alegando que teve receio de entrar na Casa Espírita e não se sentir bem com os rituais. "Mas há outro motivo e isso não pode ser dito aqui e tem que ficar fechado no grupo", acrescentou."
Ao participar do programa por telefone, R. afirmou que N. tinha falado demais e procurou se justificar:
"Só ao chegar soubemos que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente."
O treinador amenizou o fato: "Essa situação não agrada ninguém. Mas temos que respeitar a posição dos jogadores."
Diga-se, com relevância, que na cartilha de conduta do clube está escrito que é proibido qualquer tipo de manifestação religiosa por parte dos jogadores, é o que informa a matéria.
Ademais, em todas as situações onde se movimenta um grupo – em boa ou em má atitude, existe alguém que se fixa como líder. Quem assumiu essa posição e por que não chama para si a responsabilidade?
Depois dessa feito "épico" que colocou diretores e técnico do Santos em posição desconfortável, perguntamos se a mensagem comportamental que os pastores repassaram aos jogadores é a de desprezo e de ódio a outras denominações religiosas. Não o cremos. A mensagem de Cristo foi, continua sendo e o será pelos tempos em fora o AMOR, e Ele foi taxativo ao aconselhar: "Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo." Jamais afirmou que Deus privilegia ou pretere esta ou aquela religião. Tampouco afirmou que o próximo é apenas quem se une a alguém, a uma ideia, credo ou a atividade de determinado grupo.
Para justificar certas atitudes por eles classificadas como generosas e também para louvar os benefícios, uns poucos fanatizados usam da expressão "nosso Deus", o que causa a impressão de que existem diversos e que Ele deixou de ser único em seu gênero. Tal comportamento nos leva crer que os deuses da guerra, da intolerância, da ambição, dentre outros, que se encontram sepultados nos arquivos da mitologia, reencarnaram e privilegiam algumas seitas.
Alegar receio de entrar na Casa Espírita e não se sentir bem com os rituais é manifestação de insegurança religiosa, de fé vacilante, além de confissão pública de sua desinformação, pois que a Casa Espírita não tem ritual algum e tampouco possui palco para shows. Quando muito, a Casa Espírita se dedica a eventos em afinação aos seus propósitos caritativos.
Vale ressaltar o parágrafo em que o texto afirma que dentre os assistidos por aquela Entidade Espírita, 34 pacientes, entre crianças, adolescentes e adultos são portadores de paralisia cerebral. Os que se prestaram a tal aventura não imaginaram e nem poderiam, dado o insumo doutrinário que lhes penetrou as ventas como sopro da verdade, avaliar a satisfação, alegria, euforia e felicidade dos mantidos pelo Lar Espírita em receber presenteadores especiais: a presença, atenção e carinho de homens de projeção, alguns tidos como semideuses. Homens que, esportivamente, fazem com que milhões de pessoas, por momentos esqueçam suas necessidades, carências, frustrações, desilusões e lamentações.
Em nenhum recinto ou coração espírita, os de outras crenças são repudiados ou deixados ao desamparo, porque, acima de tudo, o caráter espírita e não a fachada, é cristão.
Esqueceram-se os jogadores envolvidos que milhares de torcedores santistas, são espíritas. Então, por que ofendê-los?
Não acredito, recuso-me a acreditar que jogadores de outras agremiações tomem uma atitude igual, isto seria o caos religioso. Da mesma forma, não acredito que atitudes como essa tenha aval religioso. Os Protestantes, desde o início, vieram resgatar e não condenar o ser humano.
Essa atitude, tomada não no âmago, mas nos arrabaldes de uma crença que causa efeito, diagnostica sintoma de paralisia cerebral consciente motivada por desnutrição teológica.
Para encerrar, faço três perguntas aos atores (ou seriam figurantes?) dessa encenação religiosa:
Deus foi vítima de uma falta desleal?
Merecem os antiesportistas cartão vermelho?
E o tinhoso, marcou um golaço?
Autor: Gérson Gomide
Nota: Na matéria do Jornal, os nomes dos envolvidos foram escritos por inteiro.
Fica aqui também a pergunta de um espírito amigo..." e se Jesus estivesse no ônibus...ele desceria?"
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